Entrevista: Amy Keating Rogers

10 abr

Olá, everypony!

Como vão? Ansiosos para o final desta temporada e o começo da próxima, que já foi confirmada (pelo menos pela metade…)?

E que tal saber um pouco a mais dos bastidores, principalmente sobre como o roteiro é concebido em cada episódio?

O site The Round Stable fez uma excelente entrevista com a roteirista colaboradora Amy Keating Rogers (especificamente ela escreveu os seguintes episódios: The Ticket Master, Applebuck Season, Bridle Gossip, Fall Weather Friends, A Dog and Pony Show, The Best Night Ever, The Cutie Pox, The Last Roundup e A Friend in Deed. E também é responsável pelas músicas desses episódios!). Já tem uma semana que foi publicada, mas na avalanche de coisas que saem sobre MLP todos os dias, às vezes perdemos alguma coisa. Antes tarde do que nunca, porém!

É bastante extensa, portanto… peguem um tempo para ler tudo:

 

Como alguém vira um roteirista de animação? Pode nos contar um pouco do seu caminho para a profissão?
Meu caminho foi interessante. Eu, na verdade, tinha graduação em Teatro pelo Occidental College, onde me foquei em atuação. No meu último ano, precisava de outra cadeira para terminar a graduação e tinha apenas duas opções: Oratória ou Roteiro. Eu me inscrevi para Roteiro. E, na verdade, eu ia largar e pegar de Oratória, mas meu professor não me deixou porque ele tinha uma sensação que eu seria boa em escrever peças. Ele estava certo. Eu tinha um talento natural para diálogos.

Após me graduar, continuei para conseguir meu MFA [Master Fine Arts] em Atuação pela CalArts. E enquanto, novamente, meu foco era atuação, eu peguei aulas e também fiz um curso de verão de roteiro para teatro pela UCLA e a Padua Hills Workshop. Minha paixão era atuar, mas escrever peças era outra saída criativa. Quatro das minhas peças foram produzidas durante o Festival CalArts New Plays naqueles três anos.

Após me graduar pela CarlArts, tentei virar uma atriz regular. Arranjei um agente e fui fazer testes. Mas não estava conseguindo nenhum trabalho pago. Também era membro de uma companhia de teatro. Para pagar as contas fiz vários trabalhos e, enfim, comecei a trabalhar na Hanna-Barbera Cartoons como Assistente de Produção em Johnny Bravo. Dali eu passei para as Powerpuff Girls na Cartoon Network.

Durante esse tempo, um dos meus amigos da companhia de teatro produziu uma das minhas peças em Hollywood. Daí todos da equipe sabiam que eu também era roteirista. Powerpuff precisava de mais um roteirista CraigMcCracken me deu a chance. Comecei fazendo freelance e acabei me tornando roteirista integral e efetiva da casa.

Por favor, conte-nos como você foi trabalhar em MLP. Como chegou até você? Você já tinha alguma experiência com Meu Querido Pônei no passado, tanto como telespectadora/fã ou alguém dentro da indústria que sabia algo da franquia? Qual e como foi o processo inicial de conceber e escrever os primeiros episódios com a Lauren?
Lauren, que eu conheci e fiquei amiga durante Powerpuff Girls, me disse que estava desenvolvendo uma nova série de My Little Pony e que, se ela conseguisse o sinal verde, gostaria que trabalhasse com ela.

Eu, claro, sabia da existência de My Little Pony. Entretanto, eu não tinha experiência com MLP como telespectadora ou fã quando era criança. Minha filha tinha uma coleção de pôneis quando foram relançados em 2002. Ela até teve uma festa de aniversário com tema de Meu Querido Pônei.

“Ticket Master” foi originalmente um episódio de 11 minutos que Lauren escreveu. Quando a série ficou com 22 minutos, nos encontramos e resolvemos como conseguir um pouco mais da história. Por isso o crédito do roteiro vai para nós duas naquele episódio.


Como que a equipe original foi formada? Sei que muitos de vocês tinham trabalhado com a Lauren e/ou o Craig McCracken em projetos prévios, mas não todos; foi um processo formal de seleção?
Na verdade não sei muito do processo para MLP já que eu não estava envolvida diretamente nele. Mas, em geral, nomes são sugeridos para o estúdio/produtores. Então os roteiristas têm que mandar amostras para serem lidas.

Quanto tempo leva para escrever o roteiro de uma temporada? Apenas algumas semanas do ano, a qual depois vocês movem adiante para outros projetos?
Vinte e seis episódios levam por volta de nove meses a um ano dependendo do cronograma. Os roteiristas fazem rotação. Para o primeiro rascunho nos dão duas ou três semanas (espero!). Então você recebe as anotações e faz ajustes no primeiro roteiro antes que ele vá para a aprovação dos executivos. Eles leem, fazem mais anotações, ajustes são feitos, etc.

Adoraria saber como o roteiro de um desenho é escrito, especialmente esse. Roteiro para animação tradicionalmente tem diferentes formatos, de direção de cena à la filme até “escrever” diretamente em forma de storyboard. Sob esse espectro, em qual MLP se encaixa? Como, particularmente, você lida com formas visuais de se contar a história e piadas visuais (um dos melhores aspectos do desenho)? Como transmitir a entonação de uma fala? Em suma, como é toda essa parte “nas entrelinhas” passada para os diretores e artistas, especialmente quando se está trabalhando a distância?
Em MLP, eu recebia uma premissa e uma reunião sobre a história era marcada. Eu encontrava a Lauren e o Rob [Renzetti], o Editor de Roteiro, e destrinchávamos a história. Isso significa que colocávamos cartas numa parede para os Atos 1, 2 e 3. Passávamos por cada ato, destrinchando em pedaços, desvendando cada detalhe, colocando as cartas na parede. Se conseguíssemos pensar em alguma “coisa engraçada”, colocávamos essas coisas específicas também.

Assim que a história estivesse terminada, eu escrevia uma linha geral da história colocando todos os detalhes das cartas numa história completa. Isso era enviado para a aprovação dos executivos. Então eu recebia anotações de coisas para manter em mente e mudanças para fazer na história conforme eu ia escrevendo o primeiro rascunho.

Em relação ao modo visual de contar a história e piadas visuais, essa é parte das “coisas engraçadas” que tentávamos bolar. Mas uma vez que o roteiro está escrito é passado ao artista do storyboard -e eles sempre aparecem com ainda mais coisas visuais engraçadas, porque eles são a parte visual da série! É um esforço bastante colaborativo.

Quanto à leitura das falas, há um Diretor de Dublagem na sessão de gravação, orientando os dubladores (como o nome sugere). Acho que os dubladores são talentos, trazendo vida e personalidade a cada fala.

Falando sobre contar a história visualmente, uma das maiores forças do desenho é a habilidade de “mostrar, não falar” -ele não se baseia em colocar nomes e rótulos nas coisas, como a magia de teleporte de Twilight (a qual era referida como “winking out” na série original dos anos 80); o desenho apenas faz essas coisas, sem prender a atenção em como são chamadas. O mesmo vale para a hábil abreviatura da “Pinkie Pie Promise” em “The Last Roundup”. Também notei que durante o progresso da série, elementos do universo como a natureza assustadora da Everfree Forest, não precisavam ser citadas nos diálogos; eles meio que já eram dados como óbvios dentro do contexto visual da história. Parece que, apesar do desenho ser, de fato, feito para crianças, lhes é dado um bocado mais de crédito por estarem aptos a reter informações e descobrirem as coisas dentro do contexto do que eu já vi em muitas outras séries do passado. É como se fosse deliberadamente, incomumente, respeitosa à inteligência das crianças, até mesmo desafiadora. Você diria que isso é verdade?
Sim, acho que apenas sempre acreditamos que as crianças assistindo à série são inteligentes! Nós nunca simplificamos para eles. As crianças entendem as coisas!

Num nível mais superficial, com respeito ao mesmo assunto, os roteiristas têm alguma terminologia para as coisas como “teleporte”, “levitação” que é usado internamente e nunca explicitada?
Não que eu saiba. A gente fica na linguagem pura e simples!

Quanto de revisão passa um roteiro até ser terminado? Pode nos contar de algo memorável que ficou na edição?
Depende do roteiro; e posso dizer apenas por mim, já que só vejo os outros roteiros quando estão terminados. Eu não tive que fazer grandes mudanças em nenhum dos meus roteiros. Pedaços podem ser cortados devido ao tempo. A cena da perseguição no final de “The Last Roundup” foi escrita para ser maior. Mas foi um corte muito bom porque manteve o episódio andando. Em “Best Night Ever”, outras bobagenzinhas da Pinkie foram cortadas porque aquele roteiro era realmente comprido! E o “Smile Song” originalmente havia uma “tagarelagem” que foi cortada (também uma grande decisão porque a música final flui tão bem).

Quando escreve uma música, você pensa na letra sem qualquer ideia de como a música ou métrica será, deixando que Daniel Ingram faça sua mágica nela? Ou você colabora com ele desde o início?
Não sei como os outros roteiristas fazem, mas eu preciso ter uma ideia de qual será o tom da música ou não consigo escrever a letra. Na verdade eu agonizo com isso. Mas lembre-se, não sou musicista, então preciso de toda ajuda que consigo. Para “At the Gala” minha inspiração foi “Ever After” de Into The Wood. Na verdade eu gravei um rascunho da faixa, cantando todas as partes, sobrepondo as vozes para o refrão. Foi um pouco extremista! Mas já que teve um papel importante no primeiro ato, realmente queria dar todo o tempo e dedicação que era devido -mesmo que eu soubesse que a música sofreria mudanças e ficaria bem melhor!

Para o “Smile Song” eu tive duas inspirações: “Sunshine Day” de The Brady Bunch e “Walking on Sunshine” de Katrina and the Waves. O demo do meu tom foi bem diferente da versão do Daniel. E quando eu ouço agora, percebo como a minha versão era bem ruim! Mas a sensação de animação, alegria, brilho, é a mesma e é isso que queria conseguir. De novo, é um grande número e eu precisava passar por isso com a Pinkie para conseguir chegar no estado emocional que ela estava quando conheceu o Cranky.

Nos dois casos com essas músicas, o Daniel pegou meus pequenos rascunhos musicais e os transformou em músicas fantasticamente incríveis! Ouço essas duas músicas e fico verdadeiramente impressionada com seu talento.

Muitas séries têm a tendência de introduzir, logo no primeiro episódio, vários elementos interessantes do universo que se passam. Coisas que, por uma razão ou outra, raramente aparecem de novo. Voltando para “The Ticket Master”, percebi que há algumas poucas coisas nessa linha -Twilight comendo as flores em cima da mesa do restaurante, o teleporte fora de controle- essa similaridade parece desaparecer conforme a série continua. Esses são conceitos que você e os outros roteiristas conscientemente olham pra trás e tentam trazer novamente pra série de tempos em tempos? Seria uma pena deixar detalhes tão charmosos de fora.
Quanto ao teleporte da Twilight, acho que ela simplesmente ficou melhor nisso. Quando ela recém-chegou a Ponyville, estava aperfeiçoando sua magia (assim como as amizades). Meu pensamento é que nós a vimos fazer um teleporte sem controle, mas melhorou conforme o tempo passou.

Quanto às flores, concordo que foi um detalhe bem charmoso. Foi colocado de um modo bem legal com a Pinkie comendo uma flor no começo de “A Friend in Deed”.

Os fãs notaram que há diferenças sutis, porém visíveis, entre roteiristas e seus estilos. Por exemplo, você parece ter uma afinidade com rimas (Zecora parece ser sua especialidade!) e diálogos com uma simetria poética e um ritmo neles, assim como um dos roteiros mais complexos em toda a série (“The Best Night Ever” é certamente um concorrente para o episódio com melhor roteiro da série). Enquanto M.A. Larson parece fazer várias histórias “épicas” e também situações que permitem várias referências à cultura pop. É uma parte consciente do processo de delegar os roteiros -os episódios são organizados para vários roteiristas baseados em suas forças e afinidades que a equipe tem consciência? Vocês têm alguma ideia do que cada um dos roteiristas quer colocar na história?
Escrever as rimas da Zecora foi bem legal. Foi um grande meio de fazê-la diferente e mais complicada para as pôneis entenderem.

Conforme o cronograma permitia, Lauren nos dava histórias onde ela sabia que iríamos nos dar melhor. Entretanto, algumas vezes nos eram enviadas umas duas ou três premissas e tínhamos que escolher. Quando isso acontecia, eu ia pela história que imaginava que me traria mais prazer e que tinha mais “carne” nela.

E eu, na verdade, não tenho nenhuma ideia das preferências dos outros roteiristas. Por sermos todos freelancers e não estarmos todos juntos num estúdio, não temos a chance de interagir de uma maneira cotidiana.

Adoraria saber o que você pensa dos “bronies”. Obviamente que você e o resto da equipe não tinham a intenção que o show fosse atrair esse tipo de audiência, mas aqui estamos nós. Na sua posição privilegiada, o que você acha que há que os fãs homens e adultos grudaram na série, que os faz superar o estigma de assistir a um desenho “para meninas” e engatar nesse entusiasmo? O que os bronies tiram disso?
Na verdade não estou muito surpresa pelos fãs adultos porque os tínhamos em Powerpuff. Então eu já estive lá. Agora, a Internet não era muito forte naquela época. Não tínhamos YouTube. Então o fandom de PPG não era o extremo que vejo com MLP.

O objetivo completo de Lauren com essa série era fazer algo bastante forte, um desenho animado dirigido pela personalidade das personagens. Acho que é em cima disso que os fãs reagem. As personagens são engajadas. Os episódios são convincentes. Tem um visual ótimo. A música é fantástica. Praticamente tudo se encaixou de uma maneira maravilhosa. E de algum modo o show encontrou uma audiência fora da demografia que foi originalmente direcionada. Acho que é porque é um bom show.

Acho que os bronies estão reagindo a tudo aquilo acima. Sou muito grata que todos vocês responderam tão positivamente à série.

Quanta ênfase há em dar a cada uma das personagens principais o mesmo tempo de exibição na tela e um número balanceado de episódios em que são o foco da atenção? E sobre as Cutie Mark Crusaders – foi de caso pensado dar mais presença para elas como personagens do elenco principal durante o desenrolar da série?
Lauren e Rob tentaram se certificar que todas as pôneis tivessem seus próprios episódios. Nós não ficamos muito preocupados se todas elas teriam o mesmo tempo de exibição em todos os episódios, porque com as “mane6”, isso pode ficar complicado. A pergunta seria: quais outras pôneis ajudam a história a fluir naturalmente, sem parecer forçado?

Mas eu realmente não sei sobre as CMC.

A primeira temporada tinha o Grand Galloping Gala como gancho pra história (que começou e terminou em dois episódios que você escreveu, encerrando a temporada). A segunda temporada não parece ter esse tipo de estrutura. Foi uma mudança intencional? Pode nos contar os bastidores disso e qualquer “reconstrução” que foi feita na segunda temporada, como desviar o foco da Twilight ser a única a mandar relatórios e fazer com que todas tomassem parte?
Não foi uma mudança intencional. A linha do Grand Galloping Gala apenas surgiu, naturalmente. Lauren teve a ideia original para o “Ticket Master”. Daí tivemos um grande encontro entre os roteiristas, para conversar sobre ideias de episódios para a temporada. Nesse encontro, uma ideia que surgiu foi de tornar o Grand Galloping Gala uma trilogia. Seria uma pena falar sobre o Gala e não ir ao Gala!

Então, surgiu o episódio sobre a Rarity fazendo os vestidos e aí o “evento” em si em sequência.

Quanto às outras amigas terem que escrever para Celestia, isso foi feito para dar mais liberdade às histórias. Desse modo não pareceria que Twilight foi “enfiada” no final de cada episódio. Por exemplo, no “A Friend in Deed”, funcionou bem que a Pinkie Pie tenha chegado às conclusões pois foi ela que aprendeu a lição.


Os roteiristas pegam alguma inspiração em Meu Querido Pônei (ou outras séries) quando têm ideias para histórias? Eu descobri que um episódio de My Little Pony Tales intitulado “And The Winner Is…” que tem um enredo bem semelhante com “The Ticket Master”. Então estava me perguntando se isso foi intencional ou apenas coincidência.
Eu sei que eu nunca fiz referência às séries anteriores de MLP. Fui direto na bíblia que Lauren criou para esse “novo mundo” de MLP. Quanto a similaridades entre episódios, eu realmente não sei a resposta.

Agora que boa parte da série foi completada e transmitida, que você viu suas histórias serem trazidas visualmente à vida e com as personagens falando a plenos pulmões, em algum momento você tem ideias para histórias e conceitos de roteiro que pega do design ou das piadas visuais que os animadores colocam? Ou você escreve com um conceito visual em mente e deixa acontecer depois?
Na verdade eu nunca escrevi baseado em imagens. Todos os roteiros são direcionados pelas personagens (e personalidades), é daí que começamos.

Quando um episódio diz “Escrito por Amy Keating Rogers”, isso literalmente quer dizer que você foi a única pessoa a trabalhar nele, ou outros membros do grupo de roteiristas colaboram nos roteiros ou trocam ideias entre si? Estou curioso para saber como roteiristas diferentes mantêm suas invenções criativas consistentes entre enredos e evitam “atropelar” os outros.
Em MLP, quando diz “escrito por Amy Keating Rogers” por volta de 90-95% da parte escrita foi minha, dependendo do roteiro. Sempre tem uma porcentagem ali que pode ser alterada por uma razão ou outra. Por exemplo: clareza na história, ou uma nota das Normas e Práticas.

Rob Renzetti foi o Editor de Roteiro. O Editor de Roteiro guia todos os roteiros, se certificando que a história está clara, que todas as personagens estão participando e que todas as correções foram feitas. Algumas vezes Rob fazia algumas anotações para que eu pudesse arrumar um roteiro. Mas geralmente, como Editor, é mais fácil consertar você mesmo por causa do tempo. Você sabe o que eles [produtores e executivos] querem, e o tempo que leva para comunicar ao roteirista algo para ser consertado, você pode simplesmente consertar e ter o roteiro aprovado. E não há ressentimentos quanto a isso. Os roteiristas sabem que faz parte do processo.

Então, também pode mudar durante a gravação, porque uma fala que ficou ótima no papel pode não soar tão bem. E então podem haver mudanças devido a ajustes no storyboard. Daí um monte de coisas acontecem num episódio, além do roteiro original.

Como você, sem dúvidas, está ciente, MLP: FiM tem inspirado imensamente toda uma comunidade ativa de fan-fictions. Uma das coisas que muitos, muitos aspirantes-a-autores têm dificuldade é descrever as personagens convincentemente e transmitir diálogos em suas vozes naturais. Parece que as personagens desse desenho são anormalmente difíceis para os fãs-escritores capturarem; pode ser pelo fato delas serem tão ricamente produzidas e escritas, com bastante complexidade escondida que vão sendo reveladas aos poucos com o tempo. Você acha que esse é o caso -elas são mais complicadas que a típica personagem de desenho animado? Você acha as personagens mais fáceis de escrever conforme a série se desenrola ou isso representa desafios únicos para você, conforme descobrimos mais sobre as personagens, seu crescimento e evolução?
Por causa de todos os detalhes que Lauren colocou nessas personagens, na verdade achei um enorme prazer escrever para elas. Sim, elas têm camadas e isso as fez muito mais interessantes e divertidas.

É absolutamente mais fácil escrever para personagens conforme a série prossegue. Eu ia me mantendo atualizada com os roteiros dos outros roteiristas para me certificar que eu sabia como as personagens tinham mudado nas histórias que eu não participei.

Tem alguma personagem que você goste mais de escrever? Algum episódio que se destaca entre seus favoritos?
Eu “penei” com a Rarity no “Dog and Pony Show” porque foi minha primeira vez escrevendo para ela e queria mantê-la como uma personagem simpática e divertida -não uma completa mala. Twilight pode apresentar um desafio porque ela é a mais racional do grupo e você não quer que ela se saia como uma chata estraga-prazeres.

Há alguma linha em comum, feita pelos autores, acerca da História de Equestria – como as princesas, Discord, Starswhirl the Bearded, os acontecimentos de Hearth’s Warming Eve e a punição à Luna (assim como outros eventos Históricos que ainda não vimos) se encaixam?
Acredito que não.

Abrangendo bastante o tópico, você tem alguma mensagem que gostaria de dar para a comunidade de fãs?
Obrigada por todo o apoio!

As questões seguintes podem tocar em assuntos sensíveis que podem não ser apropriados para se discutir em público, eu tenho completa noção disso; Apenas quero te dar a chance de acalmar a curiosidade dos fãs sobre algumas coisas. É completamente dentro do seu critério se gostaria de responder algum desses assuntos.

Você ainda está trabalhando com a série? Caso não, por que não?
Não atualmente. Entre a segunda e a terceira temporada, consegui um trabalho de Editora de Roteiro dos novos Care Bears: Welcome to Care-a-lot [Ursinhos Carinhosos].

Quem mais deixou a série, por quê?
Só posso mesmo apenas falar por mim.

Qual foi a reação da equipe quando a Lauren decidiu deixar a série?
Posso apenas dizer por mim e eu fiquei triste.

Sabemos que a terceira temporada foi confirmada por pelo menos 13 episódios; você pode dizer se [13 episódios] é até onde a série vai ou se será extendida para uma temporada completa (ou mais)?
É uma decisão da emissora que não sei a resposta.

Você tem mais orgulho dos primeiros episódios da série ou dos últimos? Alguma coisa saiu fora de mão em relação ao que você esperava (além, claro, da pobre Derpy)?
Tenho orgulho de todos eles! Tenho orgulho que os primeiros episódios foram tão fortes que encontraram essa base de fãs magnífica. Tenho orgulho dos episódios atuais porque conheço melhor as personagens e consegui brincar mais com elas.

Como você vai relembrar do seu período na série, como parte da sua carreira e qual o lugar da série na história da animação?
Com muito carinho. Lauren criou uma série incrível que provou que “desenho de meninas” não precisam ser piorados. Que meninas gostam de ação. Que meninas gostam de histórias complexas e personagens ricos. Eu adorei poder ter escrito para essas personagens e as colocaria perto do meu coração. Adorei ter escrito as letras de músicas e vê-las ganhando vida. Assisto a todos os episódios e realmente adoro o desenho.

Ah sim, claro, eu não posso deixar de lado a pergunta mais importante de todas:
Chimicherry ou cherrychanga?

Hhhhmmm, acho que a combinação: chimicherrychanga!

Fontes: The Round Stable, EquestriaNet

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13 Respostas to “Entrevista: Amy Keating Rogers”

  1. Rainbow Dude 10 de abril de 2012 às 9:01 PM #

    >[13 episódios] é até onde a série vai ou […] será extendida para uma temporada completa (ou mais)?
    Ai, como eu queria saber… :X

    • Gabriel Dias 10 de abril de 2012 às 9:13 PM #

      Eu acharia muito bizarro que a série fosse cortada pela metade. Embora isso ACONTEÇA nos EUA. Não dá a audiência que esperam, cortam na metade e pronto. Ainda que parece que nessa 3a temporada vão dar um “outro rumo” pra série. Acho que estou mais apreensivo que ansioso.

      • mushisan (@mushisan) 10 de abril de 2012 às 10:10 PM #

        Isso de nova direção… andei pensando mil formas de como MLP pode acabar “pulando o tubarão” -_-‘

      • Gabriel Dias 10 de abril de 2012 às 10:13 PM #

        Nunca pensei que o ORKUT fosse me ensinar algo….. (procurei “pulando tubarão” no Google e veio uma coisa do Orkut)
        Enfim. É verdade. Torço para que não aconteça. Mãããsss…. assim, para a série ficar RUIM os produtores têm que fazer muita força. Só que se perder (mais ainda) a inocência e graciosidade da 1a temporada, vai uma boa parte de alma embora. A ver.

      • mushisan (@mushisan) 11 de abril de 2012 às 1:07 AM #

        fazer força tipo… colocar fadinhas pônei ou crianças humanas (como tinha nas G anteriores… XD) #paranoia

      • Gabriel Dias 11 de abril de 2012 às 6:24 AM #

        Vire essa boca pra lá! xD
        Pior é que se isso fosse fandom, bem capaz de uma hora os produtores abraçarem. Como foi com a segunda temporada toda.

      • Fluffy Pie 11 de abril de 2012 às 5:07 PM #

        Pôneis-fadinhas e garotinhas… É, acho que é com ISSO que eu tenho que me preocupar xP

        Isso me lembra de quando começaram a vender as Blythes de Littlest Pet Shop. HASBRO, NÃO COMETA ESSE MESMO ERRO COM MLP!

        Se aparecerem tipo uns Cutants (aqueles bicho-objetos da nova Polly), eu me mato x(

      • Gabriel Dias 11 de abril de 2012 às 5:09 PM #

        “Corrão” para as montanhas ~~~/o/

  2. Fluffy Pie 10 de abril de 2012 às 10:23 PM #

    Nunca havia pensado na possibilidade de a série acabar, assim, pela metade. Agora estou preocupada =(

    • Gabriel Dias 10 de abril de 2012 às 10:26 PM #

      Acho pouco provável. Mas é igual os pôneis zumbis…

      • Mmalusd 11 de abril de 2012 às 10:27 AM #

        poneis zumbis??

      • Gabriel Dias 11 de abril de 2012 às 10:35 AM #

        Do episódio “Briddle Gossip”. Quando o Spike começa a questionar o porque da cidade estar vazia. Ele fala “Será que são….. pôneis zumbis???”, a Twi responde “Acho altamente improvável” e o Spike “Improvável, porém….. possível????? O_O”.

  3. p4154165 12 de abril de 2012 às 9:19 PM #

    Queria dar uma lida nessa bíblia que Lauren criou…

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